sexta-feira, agosto 25

Para começar

A infância é muitas vezes descrita como sinónimo de inocência, esperança, sonho, brincadeira. Na literatura, na televisão e nas conversas diárias, as crianças são sempre descritas como inocentes, como verdadeiras, mesmo quando a verdade que dizem magoa o outro. Há quem diga que as crianças são cruéis, mas logo de seguida há uma voz que abafa esta e que diz, não!... são inocentes.
Mas, actualmente, ser criança é mais do que a representação de inocência que todos nós ainda temos interiorizada. Ser criança é também ter que atingir objectivos, concretizar expectativas, compensar faltas de afecto de adultos tantas vezes sós. É ser ainda muito pouco para tanta coisa que o mundo oferece, é ter que esperar que os desejos dos adultos deixem de se superar aos seus, é ter que, muitas vezes, portar-se mal, desobedecer, ser agitada, ou tanta outra coisa que irrita o adulto, para conseguir um equilibrio interno que o meio envolvente não consegue propiciar. Ser criança é tantas vezes, às vezes, vezes de mais!, ser incompreendida, ser castrada na imaginação, ser povoada de fantasmas que arrasam a esperança no futuro... que arrasam a confiança em si mesma, a confiança no outro... que arrasam o amor.
Porque ser criança nem sempre é sinónimo de felicidade, e porque existe tanta infância humana inundada de dor e sofrimento, é bom que nos esforcemos por interpretar os sinais precoces de dor psiquica. Que nos esforcemos por interpretar as crianças, cada qual única, cada qual especial.

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